Ginecologia

Tricomoníase: sintomas, é IST?, tratamento e gravidez

📅 Atualizado em agosto de 2026 ⏱ Leitura: 12 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em ginecologia

De todas as causas comuns de corrimento, a tricomoníase tem uma particularidade importante: ela é, de fato, uma infecção sexualmente transmissível (IST) — diferente da candidíase e da vaginose. Isso muda tudo no tratamento, porque o parceiro também precisa ser tratado, mesmo sem sintomas.

Este guia explica o que é a tricomoníase, seus sintomas, por que é uma IST, como é o tratamento, por que tratar o parceiro, os riscos na gravidez e como diferenciá-la de outras causas de corrimento.

📌 Em resumo

  • O que é: infecção pelo protozoário Trichomonas vaginalis, transmitida na relação sexual
  • Sintoma típico: corrimento amarelo-esverdeado, com odor — mas muitas pessoas não têm sintoma
  • É IST? Sim — ao contrário da candidíase e da vaginose
  • Tratamento: medicamento oral contra o protozoário — em geral metronidazol por 7 dias, na mulher e nas parcerias
  • Tem cura: sim, quando os dois tratam ao mesmo tempo

Respostas rápidas para as dúvidas mais comuns:

Dúvida Resposta rápida
É IST?Sim — transmitida pela relação sexual
Corrimento?Amarelo-esverdeado, às vezes bolhoso, com odor
Tem cura?Sim, com antibiótico oral
Trata o parceiro?Sim, sempre — mesmo sem sintomas
Pega sem relação?Muito raro — quase sempre é sexual
Na gravidez?Deve ser tratada; metronidazol pode ser usado, inclusive no 1º trimestre. Tinidazol deve ser evitado

O que é a tricomoníase

Tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis — um parasita microscópico que infecta a vagina e a uretra. É uma das IST curáveis mais comuns no mundo e, na mulher, costuma se manifestar como um corrimento amarelo-esverdeado com odor; em boa parte das pessoas, porém, é silenciosa.

Por ser causada por um parasita (e não por fungo, como a candidíase, ou por desequilíbrio de bactérias, como a vaginose), a tricomoníase tem um comportamento próprio — e, sobretudo, um modo de transmissão que a coloca no grupo das infecções sexualmente transmissíveis.

Por que é uma IST

Este é o ponto que mais diferencia a tricomoníase das outras causas de corrimento. A candidíase e a vaginose bacteriana NÃO são consideradas IST — elas surgem de desequilíbrios da própria flora vaginal. Já a tricomoníase é transmitida pela relação sexual: o parasita passa de uma pessoa para outra no contato íntimo.

Isso tem três consequências práticas:

  • O parceiro precisa ser tratado, mesmo sem sintomas;
  • Vale a pena investigar outras IST (como HPV, clamídia, gonorreia, sífilis e HIV), porque é comum mais de uma coexistir;
  • O preservativo previne a transmissão.

Sintomas da tricomoníase

Quando dá sintomas, os mais característicos são:

  • Corrimento amarelo-esverdeado, abundante, às vezes bolhoso (espumoso)
  • Odor desagradável
  • Ardência, coceira e vermelhidão na vulva e na vagina
  • Desconforto ou ardência ao urinar e dor na relação
  • Em alguns casos, leve dor pélvica
  • Um achado clássico no exame é o "colo em framboesa" (pequenos pontos avermelhados no colo do útero)

Importante: muitas mulheres têm poucos ou nenhum sintoma, e a infecção pode ser descoberta em um exame de rotina (como o preventivo). Sintomas leves não significam que não precisa tratar.

Tricomoníase no homem

No homem, a tricomoníase costuma ser assintomática — é exatamente o que faz a infecção circular sem que ninguém perceba. Quando há sintomas, podem incluir leve corrimento uretral, ardência ao urinar ou desconforto após a ejaculação. Por ser quase sempre silenciosa neles, o parceiro pode estar infectado sem saber — e é por isso que o tratamento dele é parte essencial da cura, mesmo que ele se sinta perfeitamente bem.

Corrimento diferente ou com odor?

A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista em São Paulo e investiga corrimentos e infecções íntimas, identificando a causa certa e orientando o tratamento — inclusive do parceiro, quando necessário.

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Pega sem relação sexual?

É uma dúvida muito comum — e a resposta tranquiliza o entendimento da doença: na prática, a transmissão é quase sempre sexual. O Trichomonas não sobrevive bem fora do corpo, então o contágio por vaso sanitário, toalha, roupa ou piscina é muito raro e não é a forma habitual. Por isso a tricomoníase é tratada como IST, com avaliação e tratamento do parceiro. Receber o diagnóstico não significa, por si só, uma "traição" — a infecção pode ter sido adquirida há bastante tempo e permanecido silenciosa.

Como é feito o diagnóstico

O exame clínico levanta a suspeita, mas a confirmação ideal é laboratorial — a aparência do corrimento, sozinha, não fecha nem afasta o diagnóstico:

  • Exame ginecológico: avalia o corrimento e pode revelar o "colo em framboesa"
  • Análise do corrimento a fresco (microscopia): pode mostrar o parasita em movimento e dá resposta rápida, mas tem sensibilidade limitada — perde parte dos casos, e piora bastante se a lâmina não for examinada logo após a coleta
  • Medida do pH vaginal (costuma estar elevado) e testes específicos
  • Testes moleculares (NAAT), que incluem técnicas de PCR: são o método mais sensível para detectar o Trichomonas e, quando disponíveis, são a melhor opção
  • Pode ser identificada por acaso no exame preventivo (Papanicolau) — mas o preventivo não é um teste diagnóstico para tricomoníase. Quando isso acontece, recomenda-se confirmar com um exame específico antes de tratar

Tratamento

A tricomoníase tem cura. O tratamento é feito com medicamento oral da classe dos nitroimidazóis — o metronidazol é o principal deles. Não é exatamente um "antibiótico comum": ele age sobre um protozoário, não sobre bactérias.

💊 Dose única ou 7 dias? O que mudou

Esta é a dúvida que mais gera confusão — inclusive porque pacientes recebem prescrições diferentes e acham que alguém errou.

  • Para mulheres, as diretrizes internacionais hoje preferem o esquema de 7 dias: metronidazol 500 mg por via oral, a cada 12 horas, por 7 dias (a OMS admite 400 a 500 mg). O motivo é concreto — o esquema prolongado mostrou menos falhas do que a dose única de 2 g
  • Para homens, o esquema de referência continua sendo metronidazol 2 g em dose única, porque ainda faltam estudos mostrando vantagem do esquema longo nessa população
  • No Brasil, o protocolo do Ministério da Saúde ainda contempla as duas opções — 7 dias ou dose única de 2 g. Ou seja: uma prescrição de dose única não está errada, embora a tendência atual favoreça os 7 dias na mulher

A escolha leva em conta a situação clínica e, principalmente, a adesão: um esquema de 7 dias só é melhor se for de fato completado.

Outros pontos do tratamento:

  • Metronidazol é o medicamento de escolha. O tinidazol é uma alternativa em algumas situações — mas deve ser evitado na gestação;
  • O parceiro trata ao mesmo tempo — ponto decisivo para a cura;
  • Evitar relações sexuais até que os dois terminem o tratamento e estejam sem sintomas;
  • Álcool: a orientação tradicional é evitar durante o tratamento — e ela segue nas bulas e nos protocolos brasileiros. Vale saber, porém, que essa recomendação vem sendo questionada: estudos não confirmaram de forma convincente a clássica "reação tipo antabuse" atribuída à combinação com metronidazol. Na dúvida, siga a orientação da sua prescrição;
  • O creme vaginal isolado não cura a tricomoníase — o tratamento precisa ser por via oral, que age no organismo todo.

Por que tratar o parceiro

A parceria sexual pode estar infectada sem apresentar nenhum sintoma. Se ela não for tratada, o risco de transmissão persistente ou de reinfecção é elevado — o chamado efeito ping-pong: a mulher se cura, tem relação, e é infectada de novo. Por isso a regra é tratar os dois simultaneamente e só retomar as relações depois que ambos terminarem. Esse é, na prática, o erro mais comum que faz a tricomoníase "não passar".

Precisa repetir o exame depois?

Sim. Para mulheres sexualmente ativas, a recomendação é repetir o teste cerca de 3 meses após o tratamento — mesmo sem sintomas, e mesmo que a parceria tenha sido tratada. O objetivo não é desconfiar de ninguém: é que a reinfecção é frequente o bastante para justificar a checagem. Para homens, não há dados suficientes para recomendar o reteste de rotina. Um detalhe técnico importante: quando o controle é feito por teste molecular (PCR/NAAT), ele não deve ser repetido antes de 3 semanas do fim do tratamento, porque restos de material genético do parasita já morto podem dar um falso-positivo. A necessidade e o momento do reteste são definidos pelo médico.

Tricomoníase na gravidez

Na gestação, a tricomoníase merece atenção: foi associada a maior risco de rotura prematura de membranas, parto prematuro e bebê com baixo peso ao nascer. Por isso, a gestante com sintomas deve ser avaliada e tratada, em qualquer idade gestacional — o metronidazol tem bom perfil de segurança e pode ser usado inclusive no primeiro trimestre quando há indicação clínica, ao contrário do que ainda se lê por aí. O tinidazol, esse sim, deve ser evitado na gestação. Um ponto importante: o rastreio de rotina em gestantes sem sintomas não é consenso (os estudos não mostraram benefício claro em tratar a infecção assintomática para prevenir a prematuridade), por isso a decisão é sempre individualizada pelo obstetra no pré-natal, que também orienta o tratamento do parceiro. Não se deve tratar por conta própria na gestação.

Corrimento esverdeado é sempre tricomoníase?

Não necessariamente — embora o corrimento amarelo-esverdeado com odor seja o mais sugestivo dela. As três causas mais comuns de corrimento se confundem, e só o médico confirma. Veja a distinção rápida:

  Candidíase Vaginose Tricomoníase
CorrimentoBranco, "leite coalhado"Acinzentado, fluidoAmarelo-esverdeado, bolhoso
OdorSem odor forte"De peixe"Forte, desagradável
Sintoma principalCoceira intensaOdor (pouca coceira)Ardência + irritação
É IST?NãoNãoSim

Para a triagem completa de todos os tipos de corrimento (cor, textura, o que cada um significa), veja o guia de corrimento vaginal.

Riscos de não tratar

Além do desconforto, a tricomoníase não tratada pode trazer consequências:

  • Aumenta o risco de adquirir e transmitir outras IST, incluindo o HIV, por causa da inflamação que provoca;
  • Associa-se a inflamação do trato genital e, em alguns grupos — especialmente mulheres vivendo com HIV —, a maior risco de doença inflamatória pélvica;
  • Na gravidez, associa-se a parto prematuro e baixo peso;
  • Mantém a cadeia de transmissão para o parceiro e futuros contatos.

A boa notícia: o tratamento é simples e eficaz — o que torna o diagnóstico precoce muito vantajoso.

Voltou depois do tratamento: é resistência?

Na maioria das vezes, não. Quando a tricomoníase reaparece, as explicações mais comuns são, nesta ordem:

  1. Reinfecção por uma parceria que não foi tratada — de longe a causa mais frequente;
  2. Relação sexual antes de os dois terminarem o tratamento;
  3. Tratamento não completado — comum no esquema de 7 dias, quando os sintomas somem no terceiro dia e a pessoa para.

Existe, sim, resistência do Trichomonas ao metronidazol, descrita em uma parcela minoritária das infecções vaginais. Mas ela só entra em consideração depois de afastadas as três situações acima.

💡 O que muda na prática

Se a infecção persiste mesmo com o tratamento feito corretamente, ambos tratados e sem nova exposição sexual, aí a reavaliação médica é necessária — e existem esquemas diferentes para essas situações. O que não funciona é repetir o mesmo tratamento sem investigar por que ele falhou.

Prevenção

A prevenção da tricomoníase é a mesma das demais IST:

  • Uso do preservativo nas relações;
  • Tratar o parceiro sempre que houver diagnóstico;
  • Testagem para IST conforme o seu caso — idade, práticas sexuais, novas parcerias e fatores de risco orientam quais exames fazer e com que frequência. Não existe recomendação de rastrear tricomoníase em toda mulher sem sintomas;
  • Diante de qualquer corrimento diferente, procurar avaliação em vez de se automedicar.
O detalhe que mais resolve a tricomoníase é o mais esquecido: tratar o parceiro junto. Sem isso, a infecção volta. Com isso, a cura é a regra — e o tratamento é simples.

💬 Da prática clínica

Quando o corrimento é amarelo-esverdeado e com odor, a tricomoníase entra na minha lista logo de cara — e a conversa mais importante da consulta costuma ser sobre tratar o parceiro. Explico que não é questão de culpa: a infecção pode ter ficado silenciosa por muito tempo. O que importa é que os dois tratem juntos, porque é assim que ela vai embora e não volta. — Dra. Gabriella Dourado

Perguntas Frequentes

Qual a dose de metronidazol para tricomoníase?

Para mulheres, o esquema hoje preferido pelas diretrizes internacionais é metronidazol 500 mg por via oral a cada 12 horas, durante 7 dias — a OMS admite de 400 a 500 mg. Para homens, o esquema de referência continua sendo 2 g por via oral em dose única. No Brasil, o protocolo do Ministério da Saúde ainda contempla tanto os 7 dias quanto a dose única de 2 g, então uma prescrição de dose única não está errada. Quem define é o médico, considerando o seu caso e a facilidade de completar o tratamento. Não se automedique: o diagnóstico precisa ser confirmado antes.

Dose única ou 7 dias: qual é melhor?

Para mulheres, o esquema de 7 dias mostrou menos falhas de tratamento do que a dose única de 2 g, e é por isso que passou a ser o preferido nas diretrizes internacionais. Mas há uma ressalva prática importante: um tratamento de 7 dias só é melhor se for realmente completado até o fim. Quando completar vários dias é uma dificuldade real, a dose única continua sendo uma opção válida e é melhor do que um esquema longo abandonado no meio. É uma conversa a ter com quem prescreve.

Tricomoníase pode ficar anos sem sintomas?

Pode ficar bastante tempo silenciosa, sim — e isso vale tanto para mulheres quanto para homens. É justamente por essa razão que o diagnóstico não permite dizer quando a infecção foi adquirida, e não serve como prova de nada sobre o relacionamento. Muita gente descobre a infecção em um exame de rotina ou porque a parceria apresentou sintomas primeiro. O que importa é tratar os dois e repetir o exame depois.

Tricomoníase significa que houve traição?

Não. Essa é uma das conclusões mais comuns e mais injustas em torno desse diagnóstico. A tricomoníase pode permanecer sem sintomas por muito tempo, então não é possível datar quando a infecção foi adquirida a partir do momento em que ela foi descoberta. Um diagnóstico agora pode corresponder a uma infecção bem anterior ao relacionamento atual. O foco útil da conversa é outro: tratar as duas pessoas ao mesmo tempo e repetir o exame depois.

Preciso repetir o exame depois do tratamento?

Para mulheres sexualmente ativas, sim: recomenda-se repetir o teste cerca de 3 meses após o tratamento, mesmo sem sintomas e mesmo que a parceria tenha sido tratada. O motivo é a frequência de reinfecção, não desconfiança. Um detalhe técnico: se o controle for feito por teste molecular, ele não deve ser repetido antes de 3 semanas do fim do tratamento — restos de material genético do parasita já morto podem gerar um falso-positivo. Para homens, não há dados suficientes para recomendar reteste de rotina.

A tricomoníase voltou depois do metronidazol. O que fazer?

Antes de pensar em resistência ao medicamento, vale checar três coisas, que explicam a maioria dos casos: a parceria foi realmente tratada? Houve relação sexual antes de os dois terminarem? O tratamento foi completado até o último dia, mesmo depois de os sintomas sumirem? Reinfecção e tratamento interrompido são muito mais comuns que resistência verdadeira. Dito isso, a resistência do Trichomonas ao metronidazol existe em uma parcela minoritária dos casos — e, quando a infecção persiste com tudo feito corretamente e sem nova exposição, é preciso reavaliação médica, porque há esquemas diferentes para essa situação.

O que é tricomoníase?

É uma infecção causada por um protozoário, o Trichomonas vaginalis, transmitida pela relação sexual. Na mulher, costuma causar um corrimento amarelo-esverdeado, com odor e irritação; no homem, geralmente não dá sintomas. É uma das infecções sexualmente transmissíveis (IST) mais comuns e tem cura com o tratamento certo, que inclui o parceiro.

Tricomoníase é uma IST (DST)?

Sim. Diferente da candidíase e da vaginose bacteriana, que não são consideradas IST, a tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível: o parasita é transmitido quase sempre pela relação sexual. Por isso o parceiro também precisa ser tratado, mesmo sem sintomas, e recomenda-se investigar outras IST.

Quais são os sintomas da tricomoníase?

O mais típico é um corrimento abundante, amarelo-esverdeado, às vezes bolhoso e com odor desagradável, acompanhado de ardência, coceira, vermelhidão e desconforto ao urinar ou na relação. Pode haver dor pélvica leve. Muitas mulheres, porém, têm poucos ou nenhum sintoma — e a maioria dos homens é assintomática, o que ajuda a infecção a passar despercebida.

Tricomoníase tem cura?

Sim, tem cura. O tratamento é feito com medicamento oral, em geral o metronidazol. Para mulheres, as diretrizes internacionais hoje preferem o esquema de 7 dias, por ter menos falhas que a dose única; o protocolo brasileiro ainda contempla as duas opções. Para a cura ser completa e evitar a reinfecção, o parceiro precisa ser tratado ao mesmo tempo e recomenda-se evitar relações até o fim do tratamento de ambos.

Precisa tratar o parceiro na tricomoníase?

Sim. Como é uma IST, a parceria pode estar infectada mesmo sem nenhum sintoma. Se só a mulher tratar, a chance de reinfecção (o famoso efeito ping-pong) é alta. Por isso o tratamento é feito ao mesmo tempo nos dois, e as relações são evitadas até que ambos terminem e estejam sem sintomas.

Tricomoníase pega sem relação sexual?

Na prática, quase sempre a transmissão é pela relação sexual. O parasita não sobrevive bem fora do corpo, então pegar por vaso sanitário, toalha ou piscina é muito raro e não é a forma habitual de contágio. Por isso a tricomoníase é tratada como uma IST, com avaliação e tratamento do parceiro.

Posso beber álcool tomando metronidazol?

A orientação tradicional é evitar bebida alcoólica durante o tratamento, e ela continua constando nas bulas e nos protocolos brasileiros. Mas vale conhecer a nuance: essa recomendação vem sendo questionada nos últimos anos, porque os estudos não confirmaram de forma convincente a clássica "reação tipo antabuse" atribuída à combinação de álcool com metronidazol. Na prática, o mais sensato é seguir a orientação de quem prescreveu e o que diz a bula do medicamento que você está usando — e, de qualquer forma, evitar álcool durante um tratamento não faz mal a ninguém.

Tricomoníase na gravidez é perigosa?

A tricomoníase na gravidez foi associada a maior risco de parto prematuro e de bebê com baixo peso, por isso deve ser tratada. O tratamento com metronidazol é considerado seguro na gestação e é indicado quando há sintomas. A conduta é sempre definida pelo obstetra, que também orienta o tratamento do parceiro.

Qual a diferença entre tricomoníase, candidíase e vaginose?

São as três causas mais comuns de corrimento, mas diferentes. A candidíase dá corrimento branco tipo leite coalhado com muita coceira e não é IST. A vaginose bacteriana dá corrimento acinzentado com odor de peixe e também não é IST. A tricomoníase dá corrimento amarelo-esverdeado com odor, é uma IST e exige tratar o parceiro. A confirmação é feita pelo médico.

Tricomoníase pode voltar depois do tratamento?

Pode, principalmente quando o parceiro não foi tratado (reinfecção) ou quando o tratamento não foi feito corretamente. Quando os dois tratam ao mesmo tempo e seguem a orientação, a cura é a regra. Se os sintomas persistirem ou voltarem logo, deve-se reavaliar com o médico para confirmar o diagnóstico e ajustar a conduta.

Quando posso ter relação depois do tratamento?

O ideal é evitar a relação sexual até que você e o parceiro tenham completado todo o tratamento e os sintomas tenham desaparecido — em geral, alguns dias após terminar o medicamento. Voltar antes disso aumenta o risco de transmitir de novo e de reinfecção. Na dúvida sobre o tempo exato, siga a orientação do médico.

Tricomoníase aparece no preventivo (Papanicolau)?

Pode aparecer como um achado no preventivo, mas o Papanicolau não é o exame indicado para diagnosticar a tricomoníase — pode dar resultados falsos. Quando há suspeita, o ideal é confirmar com avaliação ginecológica e um teste específico antes de tratar. Por isso um Papanicolau que sugere tricomoníase costuma ser confirmado por outro exame.

Corrimento com odor ou suspeita de infecção?

A Dra. Gabriella Dourado é ginecologista e obstetra em São Paulo (Paraíso e Higienópolis). Diagnostica e trata tricomoníase e outras infecções íntimas, com orientação completa para você e o parceiro.

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Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada, procure um ginecologista.

Referências: Organização Mundial da Saúde — “Recommendations for the treatment of Trichomonas vaginalis, Mycoplasma genitalium, Candida albicans, bacterial vaginosis and human papillomavirus” (2024), que estabelece o metronidazol por 7 dias como esquema sugerido, inclusive na gestação; CDC — “Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines: Trichomoniasis”, para o esquema de 7 dias na mulher e dose única no homem, a limitação do exame a fresco, o intervalo mínimo de 3 semanas para o teste molecular de controle, o reteste em 3 meses e a revisão da interação com álcool; Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST, que contempla tanto o esquema de 7 dias quanto a dose única de 2 g; FEBRASGO, para o manejo das vulvovaginites e da tricomoníase na gestação.