Obstetrícia

Placenta acreta: o que é, graus, riscos e como é o parto

📅 Atualizado em agosto de 2026 ⏱ Leitura: 12 minutos 👩‍⚕️ Revisado por especialista em obstetrícia

A placenta acreta é uma das condições que mais exige planejamento na obstetrícia moderna — e tem se tornado mais frequente justamente pelo aumento das cesáreas. A boa notícia é que, quando é diagnosticada antes do parto e conduzida por uma equipe preparada, o que seria uma emergência inesperada vira uma cirurgia antecipadamente planejada, com risco bem menor — ainda que siga sendo uma condição obstétrica de alta complexidade.

Este guia explica o que é a placenta acreta, a diferença entre acreta, increta e percreta, por que ela acontece, os riscos, como é feito o diagnóstico e como é planejado o parto.

Resposta rápida: placenta acreta é quando a placenta se prende fundo demais à parede do útero e não se solta no parto, podendo causar sangramento intenso. O maior risco é em quem teve cesárea e tem placenta prévia. Diagnosticada no pré-natal, o parto é uma cesárea planejada, em centro preparado — o que reduz muito o risco.

📌 Em resumo

  • O que é: a placenta se adere com profundidade anormal ao útero e não se descola no parto
  • Graus: acreta, increta e percreta (da mais superficial à mais profunda)
  • Maior risco: placenta prévia + cesárea anterior
  • Perigo principal: hemorragia grave no parto
  • Conduta: cesárea planejada, antecipada, em centro preparado — muitas vezes com histerectomia

Respostas rápidas para as dúvidas mais comuns:

Dúvida Resposta rápida
O que é?Placenta presa fundo demais ao útero
Por que acontece?Cicatriz de cesárea + placenta prévia
É grave?Sim — risco de hemorragia; cai muito com diagnóstico precoce
Tem sintomas?Em geral não — achado no ultrassom
Como é o parto?Cesárea planejada, antecipada, centro preparado
Perde o útero?Muitas vezes sim (histerectomia); às vezes preserva

O que é a placenta acreta

Placenta acreta é quando a placenta se adere com profundidade anormal à parede do útero, em vez de se descolar facilmente após o nascimento do bebê. Normalmente, depois do parto, a placenta se solta sozinha; no acretismo, ela fica "grudada" ao músculo do útero — e tentar removê-la provoca sangramento.

Os médicos costumam falar em espectro do acretismo placentário (sigla em inglês PAS), justamente porque existem graus diferentes de profundidade. A condição acontece, em geral, sobre uma cicatriz no útero (como a de uma cesárea), onde o revestimento interno está alterado e permite que a placenta se fixe mais fundo do que deveria.

Vale um esclarecimento sobre a palavra "invadir", muito usada para explicar o acretismo: o entendimento atual dá menos peso à ideia de uma placenta que "invade" como um tumor, e mais à de uma implantação anormal sobre uma área cicatrizada, onde falta o revestimento normal e a parede do útero pode estar fina ou com falhas. É por isso que a placenta se fixa demais e, em alguns pontos, chega a se estender profundamente. A diferença não é só semântica: ela explica por que o acretismo se concentra em quem já teve cirurgia uterina.

Acreta, increta e percreta: os graus

O acretismo é classificado pela profundidade com que a placenta invade a parede do útero:

Grau Até onde vai a placenta
AcretaAdere ao músculo do útero (miométrio), sem invadi-lo
IncretaInvade para dentro do músculo do útero
PercretaAtravessa toda a parede e pode atingir órgãos vizinhos (ex.: bexiga)

A percreta é a forma mais grave e complexa. Quanto maior a profundidade e a extensão, maior o risco de sangramento e mais cuidadoso precisa ser o planejamento do parto. O termo "placenta acreta" é usado tanto para o grau mais superficial quanto, de forma genérica, para todo o espectro.

Você pode encontrar ainda outra classificação no laudo ou no relatório cirúrgico: a FIGO descreve o PAS em graus 1, 2 e 3 (3A, 3B e 3C) — do grau 1, de placenta anormalmente aderida, ao grau 3, com comprometimento que atinge a superfície externa do útero (3A), a bexiga (3B) ou outros tecidos da pelve (3C). É uma classificação clínica, baseada no que a equipe observa durante a cirurgia, e descreve melhor a extensão real do que os termos clássicos.

Causas e fatores de risco

O acretismo está fortemente ligado a cicatrizes ou lesões prévias da camada que reveste o útero por dentro — a cesárea é, de longe, o principal fator. Mas atenção a um detalhe que as diretrizes recentes fazem questão de reforçar: o acretismo também pode ocorrer sem cesárea anterior e sem placenta prévia, ainda que seja bem menos comum. Os principais fatores de risco são:

  • Cesárea anterior — o fator mais importante, e o risco aumenta a cada cesárea;
  • Placenta prévia — especialmente quando combinada com cesárea anterior (a associação de maior risco);
  • Outras cirurgias e procedimentos no útero: miomectomia (retirada de mioma), curetagem, cirurgias de histeroscopia, ablação do endométrio e embolização das artérias uterinas;
  • Acretismo em gestação anterior — antecedente importante, que muda todo o planejamento da nova gravidez;
  • Gestação implantada na cicatriz da cesárea (ver adiante);
  • Idade materna mais avançada e maior número de gestações;
  • Gravidez por fertilização in vitro.

A combinação que mais preocupa é placenta prévia em uma mulher que já fez cesárea — nesses casos, o rastreio do acretismo no ultrassom é especialmente importante.

📊 Por que o número de cesáreas importa tanto

Esses números explicam melhor do que qualquer frase por que a combinação preocupa. Em mulheres com placenta prévia, o risco de acretismo cresce de forma acentuada a cada cesárea: cerca de 3% na primeira cesárea, 11% na segunda, 40% na terceira, 61% na quarta e 67% na quinta ou mais. Ou seja, quem chega à terceira cesárea com placenta prévia tem risco próximo de 40% — e não de alguns por cento.

Ou seja: uma placenta baixa situada exatamente sobre a região de uma cicatriz uterina não é um detalhe do laudo — é o cenário que exige avaliação dirigida. E é também um dos motivos pelos quais evitar cesáreas sem indicação protege as gestações futuras.

🔍 O acretismo pode dar sinais já no primeiro trimestre?

Pode. Uma gestação que se implanta muito baixa, dentro da cicatriz de uma cesárea anterior, é uma situação diferente da gravidez intrauterina habitual e vem sendo reconhecida como uma importante precursora do acretismo e da placenta prévia quando a gestação segue adiante. Por isso ela exige avaliação especializada precoce — é um dos poucos momentos em que o acretismo pode ser antecipado logo no início da gravidez.

Placenta acreta ou placenta prévia: qual a diferença?

É uma confusão muito comum — e elas são coisas diferentes, embora muito relacionadas:

  • Placenta prévia é um problema de posição: a placenta está implantada baixa, cobrindo total ou parcialmente o colo do útero (a "saída"). O sintoma típico é o sangramento.
  • Placenta acreta é um problema de profundidade de aderência: a placenta — esteja onde estiver — gruda fundo demais na parede do útero e não se solta no parto.

A ligação entre as duas é justamente o que torna o tema importante: uma placenta prévia sobre a cicatriz de uma cesárea anterior é a situação de maior risco para o acretismo. Ou seja, as duas condições podem coexistir — e é por isso que, diante de uma placenta prévia em quem já fez cesárea, o obstetra investiga ativamente o acretismo.

Por que é grave

O grande risco da placenta acreta é a hemorragia. Como a placenta não se solta, a tentativa de removê-la (ou o próprio descolamento) abre vasos que sangram muito e rápido. O acretismo é hoje uma das principais causas de hemorragia grave no parto e de histerectomia (retirada do útero) periparto, podendo exigir transfusão de sangue.

É por isso que o ponto central de todo o cuidado é antecipar: quando o diagnóstico é feito no pré-natal e o parto é planejado em um centro preparado, o risco para a mãe cai muito em comparação a uma descoberta inesperada na sala de parto.

Tem fatores de risco ou suspeita no ultrassom?

A Dra. Gabriella Dourado é obstetra em São Paulo, com experiência em gestação de alto risco, e conduz o pré-natal com a atenção e o planejamento que o acretismo placentário exige.

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Tem sintomas?

Na maioria das vezes, a placenta acreta não dá sintomas durante a gravidez — é um achado do ultrassom. Quando há placenta prévia associada, pode ocorrer sangramento na gestação. Justamente por ser silenciosa, o diagnóstico depende do rastreio por imagem, sobretudo em quem tem fatores de risco — e não de "esperar um sintoma aparecer".

Como é feito o diagnóstico

Aqui vale uma distinção que muda a forma de ler o seu exame: durante a gravidez, o que se faz é estimar a probabilidade de acretismo, combinando os fatores de risco com a imagem. A confirmação definitiva acontece no parto, quando a equipe verifica se a placenta está de fato anormalmente aderida — e, quando há peça cirúrgica, o exame do tecido complementa a classificação. Ou seja: o pré-natal levanta a suspeita e organiza o cuidado; ele não fecha o diagnóstico.

  • Ultrassom (com Doppler): é o principal exame. A avaliação procura sinais padronizados como lacunas grandes e irregulares dentro da placenta, perda ou irregularidade da zona clara entre placenta e músculo, afinamento acentuado da parede uterina na região da cicatriz, abaulamento da placenta (placental bulge), interrupção da interface com a bexiga e vasos que atravessam em direção à bexiga ou a estruturas vizinhas. Pode incluir a via transvaginal, que é segura mesmo na placenta prévia e avalia muito melhor o segmento inferior do útero;
  • Ressonância magnética: não é rotina e não substitui o ultrassom feito por examinador experiente. É reservada a casos selecionados — ultrassom inconclusivo, placenta posterior ou dúvida sobre a extensão para a pelve.

Nenhum sinal isolado confirma o acretismo nem define com precisão a profundidade: o desempenho do exame depende muito do risco prévio da paciente e da experiência de quem examina.

O momento-chave do rastreamento é o ultrassom morfológico do segundo trimestre (por volta de 18 a 24 semanas): placenta anterior baixa ou prévia em mulher com cesárea anterior deve acender o alerta imediatamente e levar a uma avaliação dirigida. Gestantes com fatores de risco merecem um ultrassom atento ao local e à fixação da placenta — o diagnóstico antecipado é o que permite organizar tudo com calma.

Um ponto importante: um ultrassom sem sinais de acretismo não exclui completamente o problema em quem tem alto risco (placenta prévia sobre cicatriz de cesárea). Nesses casos, a história obstétrica e a localização da placenta pesam tanto quanto a imagem, e a vigilância continua mesmo com exames aparentemente tranquilizadores. A ausência de achados reduz a suspeita, mas não a elimina quando os fatores de risco estão presentes.

Como é o parto

Quando o acretismo é identificado antes do nascimento, o objetivo é que o parto seja planejado — antes do início do trabalho de parto e antes de uma hemorragia. Ainda assim, é honesto dizer que nem sempre isso é possível: sangramento, bolsa rota, contrações ou complicações materno-fetais podem exigir o nascimento antes da data marcada. O parto é bem diferente de um parto comum:

  • Cesárea programada e antecipada: a data é individualizada. ACOG e FEBRASGO costumam recomendar entre 34 e 36 semanas (mais precisamente 34+0 a 35+6) em paciente estável; a diretriz britânica atualizada em 2026 admite 35+0 a 36+6 semanas em mulheres sem sangramento nem outros fatores de risco para parto prematuro, buscando mais maturidade do bebê. Sangramento ou contrações antecipam essa data;
  • Em centro preparado: com equipe multidisciplinar (obstetra, anestesista, por vezes urologista e cirurgião), banco de sangue e UTI disponíveis;
  • A abertura do útero é planejada longe da placenta: a equipe escolhe onde cortar para não atravessar a placenta ao retirar o bebê, muitas vezes acima dela — atravessá-la provocaria sangramento importante;
  • Em geral não se tenta retirar a placenta: como isso causa sangramento intenso, muitas vezes a conduta é deixar a placenta no lugar e retirar o útero (histerectomia) na mesma cirurgia;
  • Tudo definido antes: a estratégia é discutida com a gestante e a equipe ao longo do pré-natal, não na hora.

Dá para preservar o útero?

Em muitos casos a histerectomia é a conduta mais segura para controlar o sangramento e proteger a vida da mãe. Ela continua sendo a abordagem mais estabelecida no acretismo em geral — e a decisão não depende apenas do "grau": pesam também a localização e a extensão do comprometimento, a vascularização, o envolvimento da bexiga, a presença de sangramento, o desejo de novas gestações e a experiência do serviço.

Porém, em situações selecionadas, com diagnóstico favorável e em centros especializados, pode-se tentar um tratamento conservador para preservar o útero. Vale entender que esse nome abrange estratégias diferentes: pode significar retirar apenas a área comprometida e reconstruir o útero, ou deixar a placenta no lugar para que ela seja reabsorvida progressivamente ao longo de semanas ou meses.

E é importante saber o preço dessa escolha, porque ela não termina na alta hospitalar. Quando a placenta é deixada no útero, podem ocorrer nas semanas seguintes sangramento tardio, infecção, alterações da coagulação, necessidade de nova internação, embolização e até histerectomia mais adiante. Por isso, essa via exige acompanhamento próximo e prolongado, com acesso fácil a ultrassom e a atendimento de urgência. É uma decisão individual, que pesa o desejo de futuras gestações contra riscos reais, e precisa ser tomada com uma equipe experiente.

Uma dúvida comum: não existe medicamento que "dissolva" a placenta deixada no lugar. O metotrexato já foi usado com essa intenção, mas não é recomendado — não há benefício comprovado e existe risco de toxicidade para a mãe.

Nova gravidez depois

Se foi necessária a histerectomia, uma nova gravidez não é possível. Se o útero foi preservado, uma nova gestação pode acontecer — a maioria dessas gestações chega a bom termo —, mas com risco aumentado de o acretismo se repetir e de outras complicações. Para dar ordem de grandeza: estudos que reuniram esses casos apontam recorrência em torno de 10% a 20%, com bastante variação conforme a população e a técnica usada. Não é um destino individual, e sim um motivo para avaliar a placenta cedo na gravidez seguinte. Por isso, o planejamento de uma futura gravidez deve ser cuidadosamente conversado com o obstetra, que avalia o caso individualmente. É também mais um motivo para evitar cesáreas sem indicação.

Prevenção

Como o principal fator de risco é a cicatriz de cesárea, a prevenção mais importante é em nível de cuidado: evitar cesáreas desnecessárias, reservando o procedimento para quando há indicação médica — porque cada cesárea aumenta o risco em uma futura gravidez. Para quem já tem fatores de risco, o que mais protege é o pré-natal atento, com ultrassom à procura do acretismo e o planejamento do parto no local adequado.

Na placenta acreta, o que faz toda a diferença é o diagnóstico antes do parto. Saber com antecedência transforma uma emergência potencialmente grave em uma cirurgia planejada, com equipe e estrutura prontas — e isso protege a vida da mãe.

💬 Da prática clínica

Quando vejo uma gestante com placenta prévia que já teve cesárea, o acretismo entra na minha cabeça na hora — e o ultrassom passa a ser olhado com lupa. Descobrir antes muda tudo: dá tempo de encaminhar para um centro com estrutura, reservar sangue, montar a equipe e conversar com calma com a paciente e a família. O que eu não quero é que isso seja uma surpresa na sala de parto. — Dra. Gabriella Dourado

Perguntas Frequentes

O que é placenta acreta?

É quando a placenta se adere com profundidade anormal à parede do útero, em vez de se descolar com facilidade após o parto. Faz parte do chamado espectro do acretismo placentário. O problema é que, na hora do parto, a placenta não se solta como deveria, o que pode causar sangramento intenso. Costuma estar relacionada a cicatrizes no útero, como as de cesárea anterior.

Qual a diferença entre acreta, increta e percreta?

São graus de profundidade da mesma condição. Na placenta acreta, a placenta adere ao músculo do útero; na increta, ela invade dentro desse músculo; na percreta, a mais grave, atravessa toda a parede e pode atingir órgãos vizinhos, como a bexiga. Quanto mais profunda a invasão, maior o risco e mais complexo o planejamento do parto.

O que causa a placenta acreta?

A causa principal é uma cicatriz no útero que altera o local onde a placenta se implanta. Os maiores fatores de risco são a cesárea anterior (especialmente várias) combinada com placenta prévia. Também aumentam o risco outras cirurgias no útero (como miomectomia e curetagem), idade materna mais avançada e gravidez por fertilização in vitro.

Placenta acreta é grave?

Sim, é uma condição séria, porque pode causar hemorragia intensa no parto — é uma das principais causas de sangramento grave e de retirada do útero (histerectomia) no parto. Mas o risco cai muito quando o diagnóstico é feito antes, no pré-natal, e o parto é planejado em um centro preparado, com equipe e banco de sangue. O diagnóstico precoce é o que mais protege.

Placenta acreta tem sintomas?

Na maioria das vezes não dá sintomas durante a gravidez e é descoberta no ultrassom de rotina, sobretudo em quem tem fatores de risco. Quando há placenta prévia associada, pode ocorrer sangramento. A suspeita costuma ser levantada pelo ultrassom (muitas vezes com Doppler), incluindo a via transvaginal quando a placenta é baixa; a ressonância magnética não é rotina e fica reservada a casos selecionados, como ultrassom inconclusivo ou placenta posterior. A confirmação definitiva, porém, só acontece no parto.

Como é o parto com placenta acreta?

É um parto planejado, por cesárea, em geral antecipado (muitas vezes entre 34 e 36 semanas), em um centro com estrutura para hemorragia e equipe multidisciplinar. Com frequência não se tenta remover a placenta, porque isso provoca sangramento — e em muitos casos é necessária a retirada do útero (histerectomia) na mesma cirurgia. Tudo é programado com antecedência.

Vou precisar retirar o útero (histerectomia)?

Em muitos casos de placenta acreta a histerectomia é a conduta mais segura para controlar o sangramento, e ela segue sendo a abordagem mais estabelecida. A decisão não depende só da profundidade: pesam a extensão, a localização, o envolvimento da bexiga, a presença de sangramento, o desejo de novas gestações e a experiência do serviço. Em situações selecionadas, com diagnóstico favorável e em centros especializados, pode-se tentar um tratamento conservador para preservar o útero. Essa decisão é individual e discutida com a equipe antes do parto.

Existe algum remédio para dissolver a placenta acreta?

Não. Quando a opção é deixar a placenta no lugar para preservar o útero, ela é reabsorvida lentamente pelo próprio organismo, ao longo de semanas ou meses, com acompanhamento próximo. O metotrexato já foi usado tentando acelerar esse processo, mas não é recomendado: não há benefício comprovado e existe risco de toxicidade para a mãe. Também não existe medicação que faça a placenta se soltar normalmente durante o parto.

Placenta acreta tem tratamento?

Não há como fazer a placenta se soltar normalmente, mas a condição é manejável: o tratamento é o parto planejado e seguro. Diagnosticar no pré-natal, encaminhar para um centro de referência, programar a cesárea com equipe e banco de sangue e definir antes a conduta (incluindo a possível histerectomia) é o que transforma uma emergência grave em um procedimento controlado.

Quem teve placenta acreta pode engravidar de novo?

Depende do que foi feito. Se houve histerectomia, não é possível uma nova gravidez. Se o útero foi preservado, uma nova gestação é possível, mas com risco aumentado de a placenta acreta se repetir, além de outros riscos. Por isso, o planejamento de uma futura gravidez deve ser conversado com o obstetra, que avalia o caso individualmente.

Como prevenir a placenta acreta?

O principal caminho é evitar cesáreas desnecessárias, já que cada cesárea aumenta o risco em uma futura gravidez. Por isso a recomendação de reservar a cesárea para quando há indicação médica. Em quem já tem fatores de risco, o que mais protege é o pré-natal atento, com ultrassom para procurar o acretismo e o planejamento do parto em local adequado.

Placenta acreta aparece no ultrassom?

Muitas vezes sim, principalmente quando a avaliação é feita por uma equipe experiente e em quem tem fatores de risco. Mas atenção: um ultrassom sem sinais não exclui completamente o acretismo em pacientes de alto risco (placenta prévia sobre cicatriz de cesárea). Nesses casos, a história obstétrica e a localização da placenta pesam tanto quanto a imagem, e a vigilância continua. A ressonância pode ajudar a avaliar a profundidade.

O que acontece se a placenta acreta for descoberta só no parto?

É a pior situação, porque o acretismo pode causar hemorragia grave e, descoberto de surpresa, sem equipe e sem banco de sangue preparados, o risco para a mãe é muito maior. Por isso a mensagem central é diagnosticar antes: quando se sabe da condição no pré-natal, o parto é programado em um centro estruturado, e o que seria uma emergência vira um procedimento controlado. É exatamente isso que o diagnóstico precoce evita.

Gestação de alto risco pede acompanhamento de perto

A Dra. Gabriella Dourado é obstetra em São Paulo (Paraíso e Higienópolis), com experiência em medicina fetal e alto risco. Conduz o pré-natal com o rastreio e o planejamento que condições como o acretismo placentário exigem.

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Conteúdo informativo. Este artigo não substitui a consulta médica. Para avaliação individualizada da placenta na gestação, procure seu obstetra.

Referências: RCOG — Placenta Praevia and Placenta Accreta Spectrum, Green-top Guideline nº 27a (5ª edição, 2026); ACOG/SMFM — Obstetric Care Consensus sobre espectro do acretismo placentário; FEBRASGO; classificação clínica da FIGO para o espectro do acretismo placentário.